As festas Juninas e Julinas fazem parte da expressão da cultura popular, enquanto Centro Cultural Boqueirão, cabe a nós promover e preservar o patrimônio imaterial Cultural Brasileiro. Nesta primeira edição da nossa Festa faremos uma homenagem a dupla sertaneja artística Belarmino e Gabriela.

Nhô Belarmino e Nhá Gabriela

Nhô Belarmino & Nhá Gabriela foi a dupla sertaneja mais famosa de Curitiba. É o nome artístico da dupla formada por Salvador Graciano e de sua esposa Júlia Alves Graciano. O casal se conheceu na Rádio Clube Paranaense em 1937 e se casaram em 1939.

Salvador Graciano, o Nhô Belarmino, nasceu num lugarejo chamado Santaria, pertencente a Rio Branco do Sul-PR no dia 04/11/1920 e faleceu em Curitiba-PR no dia 20/06/1984. Sua esposa Júlia Alves Graciano, a Nhá Gabriela, nasceu em Curitiba-PR no dia 28/07/1923 e faleceu também em Curitiba-PR no dia 28/03/1996. 

Salvador começou bem cedinho: com apenas oito anos de idade, já gostava de cantar e alegrar a vizinhança contando anedotas. Sendo de família de músicos, Salvador Graciano aprendeu tocar diversos instrumentos musicais, dentre eles, a Viola e a Gaita (Pequeno Acordeon) de Oito Baixos. 

Foi aos 14 anos de idade que Salvador adotou o nome artístico de Nhô Belarmino por ser, segundo ele, “um nome exótico e gozado”. E em 1935, aos quinze anos de idade, ele costumava se apresentar juntamente com sua irmã Pascoalina em festinhas nas redondezas de sua Rio Branco do Sul natal. Era a Dupla “Nhô Belarmino e Nhá Quitéria”, que permaneceu ativa durante quatro anos. Com o casamento da irmã Pascoalina, o marido não quis que ela continuasse com a carreira artística e, conseqüentemente a Dupla se desfez. 

Sua primeira composição foi “Linda Serrana” (Nhô Belarmino), em 1936, quando contava 16 anos de idade. Nessa época, Nhô Belarmino integrava o regional da PRB2, a Rádio Clube Paranaense; esse conjunto acompanhava os cantores que na época se apresentavam ao vivo na renomada emissora. 

Em 1939 (após a separação da Dupla “Nhô Belarmino e Nhá Quitéria”), Nhô Belarmino formou uma Dupla com Chiquinho Montalto, Dupla essa que participou de diversos programas na Rádio Clube Paranaense. E foi nessa famosa emissora de Curitiba-PR que Nhô Belarmino conheceu Júlia Alves, que veio a ser sua esposa em 23/12/1939 e com quem também formou a Dupla “Nhô Belarmino e Nhá Gabriela”, que veio a ser a mais famosa e representativa Dupla Caipira Raiz do Estado do Paraná. Um casamento que durou 45 anos, com os filhos: Clóris, Ivan e Rui. 

Juntos, “Belarmino e Gabriela” tornaram-se imbatíveis nas apresentações públicas, com sucesso estrondoso nos anos 50, 60 e 70, principalmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O segredo do sucesso estava justamente na simplicidade de piadas irreverentes e esquetes cômicas, na maioria das vezes provocativas de um para o outro, o que divertia o público. As músicas “Mocinhas da cidade”, da dupla, e a gravação de “Pena Branca”, foram sucessos de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela, que gravaram 17 discos de 78 RPM e 11 LP´s.”

Fonte:
https://www.boamusicaricardinho.com/nhobelarminoenhagabriela_55.html

Origem das Festas Junina e Julina

As festas juninas homenageiam três santos católicos: Santo Antônio (no dia 13 de junho), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). No entanto, a origem das comemorações nessa época do ano é anterior à era cristã. No hemisfério norte, várias celebrações aconteciam durante o solstício de verão – a data que marca o dia mais longo do ano. Lá na parte de cima do globo, o solstício de verão acontece nos dias 21 ou 22 de junho. Vários povos da Antiguidade aproveitavam a ocasião para organizar rituais em que pediam fartura nas colheitas – celtas, nórdicos, egípcios, hebreus. “Na Europa, os cultos à fertilidade em junho foram reproduzidos até por volta do século 10. Como a igreja não conseguia combatê-los, decidiu cristianizá-los, instituindo dias de homenagens aos três santos no mesmo mês”, diz a antropóloga Lucia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O curioso é que os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses também faziam rituais importantes em junho. Eles tinham várias celebrações ligadas à agricultura, com cantos, danças e muita comida. Com a chegada dos jesuítas portugueses, os costumes indígenas e o caráter religioso dos festejos juninos se fundiram. É por isso que as festas tanto celebram santos católicos como oferecem uma variedade de pratos feitos com alimentos típicos dos nativos. Já a valorização da vida caipira nessas comemorações reflete a organização da sociedade brasileira até meados do século 20, quando 70% da população vivia no campo.

Festa julina é uma expressão que faz referência às tradicionais festas juninas, mas quando estas são realizadas durante o mês de julho. Existe um grande debate em torno do uso da expressão “festas julinas”. Algumas pessoas alegam ser apenas uma alternativa criada para que aqueles que não conseguem celebrar as festas juninas em junho, possam comemorar durante o mês seguinte.

No entanto, outros grupos desconsideram este argumento, pois dizem que as famosas festas juninas já foram enraizadas e estão bem caracterizadas na sociedade. Por este motivo, as festas juninas poderiam ser celebradas em qualquer mês do ano, sem que as pessoas deixassem de entender o sentido destas festividades.

As festas julinas são configuradas exatamente como as festividades que são normalmente comemoradas em junho, com os mesmos elementos e símbolos padrões, como a dança da quadrilha, a fogueira, o “casamento na roça” e as comidas típicas (que podem variar ligeiramente, de acordo com a região do Brasil).


Foto: Agecom Bahia/Creative Commons

Fontes:
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-surgiram-as-festas-juninas/
https://www.significados.com.br/festa-julina/